quinta-feira, 14 de julho de 2011

ontem fui dormir lendo os diários da susan sontag e planejando ao acordar ler o livro dela que tenha há anos e que até hoje só serviu para segurar a cama
não por desprezo e sim pelo tijolo antigo que se mostra aquela edição
mas existia o conflito de querer ler o livro durante o dia e a noite os diários e minha atual condição que me obriga a anda com o mínimo de peso possível
li até de madrugada esperando uma iluminação
hoje de manhã tive que desistir da mochila que sempre parece diminuir o peso real das coisas e optei pela minha bolsa nova
então depois de muito ponderar peguei o cees nooteboom que adriano me emprestou e decidi arriscar
delicea de livro, fui feliz pelo meu caminho ouvindo roque barulhento e lendo muito fresca de vestido
agora chego em casa e tem uma caixa da cultura pra mim! veja só uma coisa de livros pra mim!
são os três ana tereza pereira que chegaram sem que eu esperasse por eles tão cedo, acreditava que somente em agosto teria essa alegria mas não
fico aqui saindo fumaça da cabeça me dividindo entre todos esses livros, porque hoje pretendo terminhar o cees nooteboom e ler um pouco da sontag pegando geral a mulherada enquanto anota e analisa gírias gays e amanhã posso sair muito diva com um ana teresa debaixo do braço

mil carinhas de felicidade :D:D:D:D:D:D:D:D

segunda-feira, 11 de julho de 2011

vizinho ao planeta do bosta do pequeno prícipe deveria existir um planetinha do mesmo tamanho
só precisaria uma mesa e cadeiras, uma realidade absurda onde eu podesse me sentar com ela e conversar sobre as coisas da vida, o universo e tudo mais

depois alheia aos acontecimentos tudo voltasse ao normal e misteriosamente sumisse a urgência/saudade.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

" Há homens com quem se pode aprender a ver aquilo que dentro de nós existe e não sabíamos.
Reconhecêmo-los pelo olhar. Quando se aproximam, a noite reflecte-se clara nos seus rostos. Têm gestos lentos, precisos, como os dos deuses marinhos que habitaram, além, no mar rente à ilha.
Às vezes, quando à hora do calor durmo debaixo duma árvore, aparecem-me em sonhos. Contam que são homens sempre de passagem. Não pertencem a lugar nenhum e, raramente, pernoitam duas vezes seguidas no mesmo sítio. São homens errantes, muito antigos. Deslocam-se com se fossem sombras. Transportam no coração a euforia de quem viaja.
Uma noite, conheci um desses homens e toquei-lhe. Veja a queimadura que me deixou nos dedos. Está a ver?
Por isso não saio daqui. Guardo e vigio a ilha - como se ela precisasse do meu olhar para se manter um ser vivo.
Passo os dias dizendo, em voz alta, os nomes das plantas e dos animais, assim... como se rezasse. E, uma noite, do fundo marinho da ilha virá outro homem, ou um deus, para me ensinar mais coisas sobre estas terras.
Vivo nesta charneca que se estende da Cabeça da Cabra até ao mar. Olho fixamente a ilha, mesmo durante a noite, quando ela tem o perfil duma cabeça deitada sobre as águas. Deixo a vida escoar-se ao ritmo das migrações das aves. E ao fim de muitos anos descobri que a ilha é um lugar que cresceu, misteriosamente, dentro de mim. O meu corpo transformou-se em ilha. Olho a ilha, sou a ilha.
Mas não te quero demorar mais. Se quiseres, antes de seguires viagem, ensino-te os nomes dos animais. E se me deres a tua mão, queimar-te-ei os dedos, exactamente como queimaram os meus. Depois, poderás partir por essa linha litoral traçada pelo fogo sobre a pele. "

Al Berto
O Guardador da Ilha

(com muita alegria tenho a queimadura ainda)